O consultor gráfico Hamilton Terni Costa abriu o primeiro dia de trabalho do 15º Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica (CONGRAF), neste domingo, 9, com uma visão desafiadora sobre o futuro da gráfica no atual cenário de consolidação das novas mídias. Na opinião de Hamilton, o sucesso da Indústria Gráfica dependerá, cada vez mais, de dois conceitos: eficiência e criatividade.
Na apresentação, oconsultor elencou as profundas transformações que atingem o mercado de comunicação, o que deve forçar um movimento de reinvenção dentro da indústria gráfica. “Com tudo isso, a gente não quer dizer que a mídia impressa não tem futuro. O que queremos dizer é que teremos cada vez mais concorrentes, e não serão apenas aqueles sentados ao nosso lado, mas muitos que nem sonhávamos existir”, resume Hamilton.
Para o consultor, a saída é “pensar estrategicamente”, e não apenas “em que máquina que eu irei comprar, ou se devo migrar para o digital”. “É hora de pensar, de fato, no papel da inovação e ter a atitude da mudança”, ressalta.
Dessa maneira, a discussão toda deve convergir para um dilema cuja resposta não necessariamente penderá para apenas um dos lados. Na opinião de Hamilton, as gráficas devem se posicionar ou como ferramenta de suporte, ou como parte integrada do processo de comunicação dos clientes.
A gráfica como parte do processo, explica ele, deve estar “dentro do negócio” do cliente, ajudando a desenvolver a estratégia de comunicação e recebendo feedback dosresultados de seu trabalho.
“Como parte do processo, nós interferimos na comunicação do cliente”, exemplifica. “Ser parte do processo é gerar demanda. Inclusive demandas que não existiam antes. Desenvolver produtos e soluções que o cliente nem imaginava que precisaria.”
Ele ressalta, entretanto, que não é errado se posicionar apenas como ferramenta de suporte. Mas, para isso, é necessário ser eficiente. Ou seja: oferecer bons preços, ter uma linha de produção enxuta e automatizar tudo o que pode ser automatizado. Isso não significa, é claro, que o empresário gráfico que se sente mais confortável para atuar como suporte possa ignorar as novas mídias. Uma opção, por exemplo, é oferecer serviços com uma nova abordagem comercial, como serviços sob demanda através da web e das redes sociais.
Papel sensorial
Uma aposta já bastante difundida entre as gráficas que buscam oferecer soluções diferenciadas é o desenvolvimento de impressos com cheiros, formatos, texturas e acabamentos inusitados. “Tem gente que é muito boa nisso, e tem muita coisa nova nessa área”, destaca Hamilton.
O consultor deu alguns conselhos aos empresários interessados em se envolver mais no processo de comunicação dos clientes. A primeira lição, segundo ele, é incorporar a perspectiva do consumidor. “Pensar não apenas em produtos, mas nos benefícios desse produto e nas necessidades do consumidor”, exemplifica.
E nunca se preocupar apenas em oferecer os preços mais baixos. “O ideal é vender solução, e não preço”, aponta.
Fonte: Ricardo Viveiros - Oficina de Comunicação