*Sandra Monteiro e **Alessandra Holmo.
Nos últimos tempos, a palavra sustentabilidade tem marcado presença nas manchetes dos principais jornais do mundo. O conceito agrega aspectos sociais, econômicos e ambientais e preza pela realização das atividades humanas de maneira eficiente, com a otimização da relação custo/benefício e a redução do desperdício.
Neste cenário, fica clara, para as empresas em geral, a necessidade de assumir, de imediato, o papel de liderança na adoção de padrões de produção e de consumo sustentáveis que atendam às necessidades sociais, mantendo um gerenciamento ambiental responsável, com operações competitivas e lucrativas.
Assim, consideramos como embalagem sustentável aquela que é produzida por meio da escolha responsável de fornecedores e concebida para ser eficaz e segura durante todo seu ciclo de vida e para que atenda aos critérios de mercado quanto ao desempenho e custo, além de ser integralmente produzida com o uso de energia renovável. Após sua utilização, a embalagem sustentável deve ser reciclada com eficiência, transformando-se em recurso valioso para as próximas gerações.
No desenvolvimento de uma nova embalagem, a união da engenharia – e sua visão de processos e conhecimento de materiais – com o design criativo e funcional, possibilita a criação de opções cada vez mais focadas nos requisitos de sustentabilidade.
A embalagem precisa – impreterivelmente - continuar protegendo o produto contra danos mecânicos, conservando e prolongando sua vida útil e mantendo sua qualidade; facilitar o transporte, proporcionar conveniência no uso, atender requisitos de custos, transmitir informações, educar quanto à forma de uso e composição e construir a marca do produto são, igualmente, requisitos fundamentais.
O produto final deve ser fundamentado em três conceitos:
1) A definição de embalagem sustentável, consagrada mundialmente pela Sustainable Packaging Coalision (SPC);
2) O modelo Cradle-to-Cradle®;
3) O conceito dos “R” da sustentabilidade e suas priorizações.
Segundo a SPC, uma embalagem, para ser sustentável, deve ser benéfica, segura e saudável para comunidades e indivíduos durante todo seu ciclo de vida, atender critérios de desempenho e custo presentes no mercado, ser pesquisada, fornecida, manufaturada, transportada e reciclada usando energia renovável. Deve ainda maximizar o uso de materiais de fonte renovável ou recicláveis, obedecer às melhores práticas de produção e utilização de tecnologias limpas, ser constituída de ingredientes cujos resíduos são seguros aos indivíduos e ao meio ambiente em todas as prováveis circunstâncias de disposição, ser fisicamente desenhada para otimizar materiais e energia e ser efetivamente recolhida e utilizada em ciclos “Cradle-to-Cradle” biológicos ou industriais.
O modelo Cradle-to-Cradle® assume que existem dois ciclos, o técnico e o biológico. No ciclo biológico, os materiais são chamados de bioingredientes e são, por sua essência, biodegradáveis. Esses materiais, quando retornados ao meio ambiente, não causam nenhum tipo de prejuízo ou contaminação e são facilmente assimilados quando compostados em condições adequadas. Já no ciclo técnico, os materiais são frequentemente sintéticos ou minerais e permanecem seguros no ciclo fechado de manufatura, recuperação e reuso, mantendo, assim, seu alto valor por diversos ciclos de vida.
No terceiro e último conceito a ser considerado, os erres da sustentabilidade são uma tentativa de solucionar o grave problema do impacto negativo das embalagens como lixo urbano no meio ambiente. Os “R” mais comumente enumerados hoje são: Reduzir excessos, desperdícios e energia na fabricação e no consumo da embalagem, Reutilizar a embalagem, Reciclar (mecânica ou energeticamente), Receita (gerar valor no produto, com embalagens que garantam um custo adequado).
Os “R” podem ser organizados de maneira a nos possibilitar escolher as melhores opções de acordo com as condições e estratégias de cada projeto da empresa. Por exemplo, estratégias que tentam evitar que o produto seja descartado como lixo são preferíveis a estratégias que tentam uma maneira de usar o lixo já descartado inadequadamente. Por outro lado, pode-se pensar que uma ação bastante efetiva, e que pode ser priorizada na grande maioria dos casos, é a eliminação do excesso ou do desnecessário num conjunto de embalagens, pois isso não gera custo, não consome energia e muito menos gera resíduo.
Com a crescente complexidade das variáveis envolvidas num projeto de embalagens e com a necessidade de se agregar a responsabilidade social e ambiental na criação de novos produtos, os gestores de projetos devem ser ativos na condução de mudanças de paradigmas, aproveitando as oportunidades e benefícios que a sistematização da criação pode trazer para os novos caminhos que buscamos para o nosso planeta. O pensamento sistêmico no projeto conduz a um resultado mais elaborado e, talvez, mais próximo do conceito de desenvolvimento sustentável.
*Sandra Monteiro é professora na Educare e consultora na MHS Global. Possui mais de dezessete anos de experiência em Gestão de Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento em Inovação e Racionalização de Embalagens, atuando em empresas como Dixie Toga, Beiersdorf Nivea, Avery Dennison e Natura. Experiência na busca e desenvolvimento de novos mercados e negócios em B2B, na construção de estratégias de inovação e arquitetura de portfólio em embalagens para produtos de consumo e na gestão de projetos multifuncionais. Ativa participação em seminários, conferências, feiras e workshops nacionais e internacionais. Formada em Engenharia de Produção, Química pela Faculdade de Engenharia Industrial, com Especialização em Embalagens pela Escola Mauá de Engenharia.
**Alessandra Holmo atualmente exerce o cargo de Gerente da Educare na FDTE. Possui experiência de atuação de 15 anos na área técnica e de mercado de Polímeros em empresas como Braskem, Borealis e Quattor. É Engenheira de Materiais formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 1993, com MBA em Marketing pela ESPM em 1998, Pós-Graduação em Gestão da Inovação Tecnológica também pela ESPM em 2006 e Pós-Graduação em Inteligência de Mercado pela FIA/USP em 2009.
Fonte: Yellow Comunicação