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A realidade das embalagens Sul-africanas



*por Assunta Napolitano Camilo.

Este artigo faz parte da pesquisa de campo feita na África do Sul em agosto de 2010, nas cidades Cape Town, Durban, Rastenburg, Johannesburg, Pretória e Stellenbush.

A África do Sul é um país que está sendo construído após tantas adversidades e atualmente está com a auto-estima elevada, pois acaba de realizar um feito histórico: sediou este ano a Copa do Mundo de futebol. Um povo gentil e feliz por ser “livre”, experiência nova para os sul africanos. Ainda são segregados entre brancos e negros, pobres e ricos. Um verdadeiro país de contrastes, que muito se assemelha ao Brasil.

As embalagens seguem na África do Sul as mesmas tendências que o restante do mundo, porém têm as suas particularidades e curiosidades.

A começar pelo varejo; é bastante concentrado entre cinco redes: Woolworths, Pik and Pay, Game, Checkers, Spar. Os bairros têm versões menores dos mesmos. As vilas distantes e os “guetos” (que são muito parecidos com as comunidades pobres brasileiras) têm lojas ou mercadinhos familiares, normalmente cercados por forte esquema de segurança.

Vamos destacar as embalagens diferentes e curiosas. Há muitas opções em produtos de marca própria para atender a todos os bolsos: no supermercado Pik and Pay, têm a marca “Pik and Pay” e a “No name” posicionada com menor preço. As embalagens da marca própria têm apresentação mais simples que as marcas líderes, mas seguem o padrão. A marca “No Name” tem embalagens muito simplificadas, algumas são transparentes com apenas uma cor (em traço) para aplicação dos dizeres legais.

Quick Cooking


A marca própria da rede Spar segue o padrão da matriz alemã, bastante clean (clara e limpa) e elegante. A rede tem hipermercados em centros comerciais, parecidos com os nossos.

A rede Woolworths acaba de lançar sua nova linha de embalagens, desenvolvida por uma jovem empresa de design da Austrália, a FROST. A marca foi estilizada e em toda a linha o destaque foram os produtos, sempre com muito estilo e destacando os atributos: sabor, frescor, saúde, conveniência etc. Embora o nome remeta a uma empresa inglesa, é uma empresa sul africana, sem vínculo com a marca européia.

Strawberry Yoghurt


A rede Checkers posiciona-se num nível um pouco superior às redes Pik and Pay e Spar, próximo ao posicionamento do Woolworths, além de ter lojas nos centros comerciais horizontais, têm lojas nos shoppings centers mais elitizados. Lá pode-se encontrar produtos importados e nacionais mais sofisticados.

As lojas ”Game”, em sua maioria, em shopping centers, são na verdade lojas de conveniência, enormes com utilidades domésticas, roupas, brinquedos, drugstore e alguns itens de alimentos e bebidas mais voltado para o consumo imediato (algo parecido com a “Lojas Americanas” do Brasil).

Existe ainda uma rede de Drugstore (nos pareceu a única) de produtos de higiene pessoal, bijuterias, farmácia e um pouco de produtos de conveniência, a “Click’s”. Lá encontramos uma marca própria de produtos pessoais e muitos produtos importados.

Produtos farmacêuticos são vendidos livremente fora de farmácias em toda sorte de mercados.

Comércio Popular

Chama a atenção a abrangência do comércio popular. Em todos os lugares, ruas, proximidades com estações de transporte coletivo, escola, há barracas ou tapetes estendidos com produtos expostos.

Existe até uma placa de transito com o símbolo de proibido vender produtos nesta área. O que nem sempre é atendido.

Os ambulantes e mascates vendem de tudo, com destaque para as frutas e legumes: sempre pré embalados em saquinhos transparentes fechados com nó. Eles Já devem ter percebido que produtos pré embalados geram menor perda!

Feira


O comércio popular nos guetos tem pequenos mercadinhos, açougues e padarias-lanchonetes. A maioria destes estabelecimentos é cercada por grades por fora e por dentro. Só há espaço para entrega de produtos e recebimento do pagamento. Nestes casos os produtos são pedidos ao funcionário da loja.

Os produtos à venda nestes mercadinhos são mais simples, menores e com menor diversidade, porém vimos também a presença de marcas líderes mundiais, mostrando a força da logística e distribuição das empresas globais.

Destacaria o forte trabalho de logística reversa praticado pelas empresas de refrigerantes e cervejas: 75% (setenta e cinco por cento) das bebidas usam embalagens de vidro retornável. Em todos os pontos de venda há esquema de troca de vasilhames como ainda podemos verificar na nossa periferia.

Garrafas retornáveis de vidro


A matriz de materiais utilizados lá é um pouco diferente da nossa. As embalagens de aço são largamente aplicadas para pescados, legumes, grãos, sopas e “pratos prontos”. Curiosa a embalagem de sardinhas: cilíndrica com a nossa de extrato de tomate, e por que não?

Lucky Star


A presença de embalagens de alumínio para bebidas é menor, já que ficam menos competitivas diante da retornabilidade implantada lá pela indústria vidreira.

As embalagens stand up pouchs são presentes nas gôndolas de produtos de limpeza como refil e nas bebidas populares (“bebidas mistas”) do que nas de produtos alimentícios.

Drink O Pop


As embalagens cartonadas assépticas embora tenham mais players do que aqui, têm espaço menor, pois competem com embalagens plásticas refrigeradas ou assépticas. No caso do leite, há ainda a competição com as embalagens flexíveis simples.

A questão das “sacolinhas”.

O governo sul africano estabeleceu uma norma para as “sacolinhas”, então todas são padronizadas para agüentarem a carga, e, são cobradas dos consumidores, custam em média quarenta centavos de rands, cerca de dez centavos de reais.

Sacolinha Checkers


Curioso também o fato dos carrinhos de cada supermercado serem cada um de uma cor, e todos de plásticos. Assim eles podem recolher dos estacionamentos e dos pontos de ônibus (os consumidores levam os carrinhos até os pontos!)

À parte das embalagens curiosas (que trataremos noutro artigo), de maneira geral, considerando os tamanhos das duas economias, o número de habitantes, diria que há bastante similaridade entre os nossos modelos de varejo.


*Assunta Camilo é Diretora do Instituto de Embalagens e da consultoria FuturePack. Engenheira Mecânica formada pela Politécnica da USP, especialista em Administração Industrial na Fundação Carlos Alberto Vanzolini da USP e em Pós Graduada em Marketing pela ESPM e Business School; estágios e cursos na Alemanha e EUA.

Palestrante internacional e professora de embalagens. Profissional do setor há 28 anos, com experiência nas empresas: Cyklop, Dixie Toga, TetraPak e Ripasa; nas áreas de desenvolvimento, planejamento Estratégico e Gestão de Embalagens. Participa desde 1986 das principais feiras e congressos do setor no mundo. Faz parte do grupo de consultores The Faith Pop Corn.

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Fonte: Guia da Embalagem




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