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Qual a melhor saída?



Por Assunta Napolitano Camilo, Diretora do Instituto de Embalagens e da Consultoria FuturePack.

Saiba que existem alternativas possíveis para vencermos a batalha das sacolas de saída dos supermercados e lojas


Muito tem se falado sobre a questão da sacola de saída dos supermercados e lojas. Algumas pessoas até legislam sobre o assunto, porém, e infelizmente, sem ter todas as informações ou conhecer a situação real: do supermercado, da comunidade, da cidade, enfim, de todo o contexto.

Recentemente conheci a campanha de uma escola de ensino fundamental e médio que propunha um desafio às famílias: passar uma semana sem a “sacolinha de supermercado”. Como se a “sacolinha” fosse a culpada pela geração do lixo urbano! Esta, na verdade, é uma questão de educação ambiental e orientação para o descarte responsável!

Diante desse dilema, que vivemos nos dias atuais, resolvemos abrir nosso acervo de embalagens e apresentar algumas soluções vistas na prática em outros países, para que possam servir de discussão e, quem sabe, ajudar no direcionamento de uma solução adequada para nós, brasileiros.

A primeira informação relevante é que, na maioria dos países europeus, a sacola é cobrada. Como tem preço e custo, há uma considerável redução no consumo.

Na mesma linha, observamos uma grande oferta de sacolas retornáveis de todos os tipos e materiais, sempre à venda, a preços justos, o que motiva muitas pessoas a adquiri-las. Alguns exemplos são as simples opções em TNT (Tecido Não Tecido) de polipropileno, como as do Wal Mart da China e dos Estados Unidos: simples e econômicas, ficam ao lado dos check outs (caixas dos supermercados), como opção às sacolas de polietileno, normalmente menos resistentes, ou que servem para uma única utilização.

A CVS Pharmacy (maior rede de farmácias dos Estados Unidos) usa o mesmo tipo, porém com um pouco mais de reforço na alça e no fundo.

A cadeia Tesco (maior rede britânica de varejo) tem apostado em várias lojas, por exemplo na Polônia, em sacolas de papel kraft. E na Inglaterra lançou as de juta, material de fonte renovável, com decoração de joaninhas, virou um verdadeiro “hit”!

Alguns cafés, como o Starbucks, nos Estados Unidos, também aderiram ao uso de sacolas e sacos kraft com papel reciclado. Lá até os guardanapos trazem mensagens educativas como “Menos guardanapos, mais florestas”. Eles utilizam guardanapos de papel reciclado e, usando estas ferramentas de marketing e de educação ambiental, ganham, além de melhoria de imagem, uma boa redução de custos. Prova de que ecologia rima com economia.

A rede Whole Foods (rede de mercearias de produtos orgânicos e naturais), nos Estados Unidos, tem uma proposta totalmente diferenciada: sacos e sacolas de papel kraft, que trazem a inscrição de 100% reciclado, o que provavelmente quer dizer reciclado de material de processo. A rede oferece também uma sacola plástica de material reciclado de PET. Observe nesse caso que há ainda a vantagem do pós-consumo, porém não é monomaterial, o que dificulta a reciclagem.

A rede francesa Auchan (terceiro maior grupo francês de supermercados) tem uma das melhores opções para as sacolas de saída que é a sacola “eterna” – no meu ponto de vista é uma das melhores. A sacola é retornável, razoavelmente reforçada, feita de material plástico reciclado e custa 10 centavos de euro. É considerada eterna, porque, quando se estraga e sendo entregue no supermercado para a reciclagem, é trocada por outra nova.

Em Portugal, um grupo de supermercados, entre eles o Carrefour, o Continente, o Pingo Doce, o Auchan, se uniu através da APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição) e desenvolveu o “Saco Verde” feito de PEAD - quando danificado, pode ser trocado em qualquer um dos supermercados conveniados por outra sacola nova. A proposta tem uma imagem bem educativa, promovendo os três “Rs”: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

O Carrefour, na França, vende uma excelente sacola retornável feita de ráfia (polipropileno) laminada com BOPP, uma sacola monomaterial (as alças também são de PP). Ela é bem reforçada e tem uma inscrição “Agir aujord’hui pour mieux vivre demain” (“Agir hoje para viver melhor amanhã”).

Alguns supermercados têm adotado as sacolas de material plástico renovável, biodegradável e até mesmo compostável, que, além de funcionar como sacolas, podem se transformar em sacos de lixo. O problema é que estes são menos resistentes.

A sacola roxa para carregar vinhos é feita de material oxidegradável, como a da rede de supermercados Continente, de Portugal. Ela orienta que o material é reciclável e 100% degradável. Na Europa e nos Estados Unidos essa opção é bem utilizada.

O que constatamos é que, em todos os casos, no mínimo, as sacolas trazem claramente a informação do material utilizado, conforme a norma ISO 14000 preconiza e apresenta mensagens educativas, por exemplo, a sacola da Target e da 7Eleven (ambas redes de lojas de conveniências americanas).

No exemplo trazido da África do Sul, a sacola do Checkers também é paga e há a observação de que não é possível obter reembolso com seu retorno ao supermercado. O texto impresso na embalagem também traz uma mensagem ambiental: “Pense no meio ambiente, reutilize esta sacola”.

A TerraCycle, empresa americana que transforma embalagens descartadas pós-consumo em produtos e que já está no Brasil, desenvolveu algumas opções. As embalagens são soldadas umas as outras, costuradas e se transformam em sacolas e outros produtos, como estojos e mochilas, alguns destes podem ser encontrados aqui nas lojas da rede Wal Mart. Proposta similar é oferecida no Brasil pela StudioTerra, que desenvolve sacolas a partir de embalagens cartonadas longa vida. A cada doze embalagens a empresa produz uma sacola, com reforços feitos a partir de banners usados.

Concluindo, há diversas alternativas em uso em vários países, incluindo o Brasil, mas vale refletir sobre alguns pontos comuns em quase todas elas:

  1. Cobrar pelas sacolas, em alguma medida as valoriza e gera redução de consumo, ou o consumo consciente;

  2. Identificação do material utilizado conforme norma é fundamental e não custa nada;

  3. Promover educação ambiental com mensagens educativas também não custa, vale muito e poderia contribuir para melhorar a imagem das sacolas;

  4. Usar material reciclado pós-consumo, sejam embalagens costuradas ou recicladas, papéis ou plásticos, promoveria toda a cadeia de reciclagem, faria a roda da fortuna girar;

  5. Criar campanhas de troca de sacolas usadas por novas pode ser uma saída interessante que promoveria a valorização, a reciclagem, o consumo responsável e a educação. Além de que reduziríamos muitas sacolas soltas no ambiente.


Qualquer uma dessas alternativas, isoladamente, ajuda um pouco. Porém, agrupadas podem gerar uma melhoria significativa para o meio ambiente, para a imagem do setor e para a solução do impasse. Desejo sinceramente que cada cidadão comece desde já a adotar alguma alternativa, fazer uso consciente das sacolas e das embalagens de forma geral, pois: “Embalagem Melhor. Mundo Melhor”.

Confira os exemplos citados no artigo:

Sacola Wall Mart Sacola Verde

Sacola 100% Reciclável Sacola Tesco

100% Recicled Paper Plastic Bottle

Echengeable a Vie Protege o Ambiente- Sacola Verde

Aujourd Sacola Sustentável

Sacola Continente Sacola Roxa

Sacola Ambiente Meio Checkers

Beauty Bag


*Assunta Napolitano Camilo é Diretora do Instituto de Embalagens e da Consultoria FuturePack. É Engenheira Mecânica formada pela Politécnica da USP, Especialista em Administração Industrial na FCAV/USP, Pós-graduada em Marketing pela ESPM e Business School; com estágios e cursos na Alemanha e EUA. É também Consultora de Empresas nacionais e internacionais como a PIRA (Inglaterra), além de Professora e Palestrante Internacional de Embalagens. Tem experiência nas empresas: Cyklop, Dixie Toga, TetraPak e Ripasa, nas áreas de desenvolvimento, planejamento estratégico e gestão de embalagens. Participa desde 1986 das principais feiras e congressos do setor no mundo. Contato: assunta@institutodeembalagens.com.br


Conheça o Instituto de Embalagens: www.institutodeembalagens.com.br

Fonte: Instituto de Embalagens / Guia da Embalagem


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