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Inovação, tecnologia e desenvolvimento

* Eduardo Pocetti.

A menos de quatro meses das eleições e em plena efervescência da Copa do Mundo, corremos o risco de deixar notícias muito importantes passarem despercebidas.

Por exemplo: na última semana de junho (28), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) anunciaram a criação de um programa de apoio a projetos de inovação de empresas brasileiras. O aporte previsto é de 100 milhões de reais, cifra que poderá aumentar ainda mais, conforme a demanda.

Criado com a intenção de incentivar as companhias instaladas no Brasil a aplicar mais recursos em inovação e a realizar tais investimentos de forma mais consistente, o projeto será alimentado com recursos do Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Vinte núcleos de federações industriais receberão os recursos, que deverão resultar na criação de pelo menos 2 400 projetos em curto prazo. O Sebrae e a CNI também se comprometeram a aplicar 48 milhões de reais em iniciativas de fomento à inovação. O MCT, por sua vez, destinará uma verba de pelo menos 50 milhões de reais ao apoio para gestão de projetos de inovação.

A iniciativa é importante por dois motivos. Primeiro, porque nenhum país cresce sem apostar em inovação e tecnologia, e o Brasil está muito aquém da China, da Índia e até mesmo da Rússia neste quesito. Em segundo lugar, temos que nos apressar a fazer uma mudança de cultura, pois o Brasil ainda não dá o merecido valor a essa questão. Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) informam que nós destinamos apenas 1,13% do nosso PIB para pesquisa e desenvolvimento, contra 2,28%, em média, dos demais países integrantes.

Os benefícios da capacidade tecnológica inovadora para a performance competitiva de empresas e países são observados desde a Revolução Industrial. Teóricos como Adam Smith e Alexis de Tocqueville já os reconheciam, mas foi na década de 1930 que o economista e cientista político austro-húngaro Joseph Schumpeter estabeleceu uma clara correlação entre a inovação e o desenvolvimento econômico de nações.

Schumpeter demonstrou que a inovação não se restringe a produtos e processos, mas envolve novas formas de gestão, novos mercados e novos insumos de produção. Sua percepção provou-se correta, e o Brasil já não pode perder tempo na busca de soluções que conduzam ao fortalecimento de seu sistema de ciência, tecnologia e inovação. Além disso, capacidade tecnológica não é algo que se possa adquirir de um país mais avançado. É preciso, sobretudo, apostar no desenvolvimento do capital organizacional e integrar de forma harmônica os diversos componentes da capacidade tecnológica.

Isso só é possível quando o poder público, o meio acadêmico e o setor privado unem forças. No entanto, vale ressaltar que o empresariado brasileiro tem razões mais do que compreensíveis para relegar os investimentos em tecnologia e inovação a um futuro que, sem incentivos, ficará cada vez mais distante. No dia-a-dia, nossas empresas enfrentam os desafios oriundos das carências em infraestrutura, da altíssima carga tributária, da mão de obra que custa caro mas nem sempre apresenta o desempenho esperado. Há, enfim, obstáculos demais para serem vencidos cotidianamente. Dessa forma, é difícil que a adoção de uma agenda de inovação se torne prioritária.

Como vencer esses desafios? A resposta reside justamente na mudança de cultura nacional no tocante a esta questão. E o acordo firmado pela CNI, o Sebrae e o MCT é um passo importante, que pode e deve ser multiplicado.

* Eduardo Pocetti é CEO da BDO, quinta maior empresa do mundo em auditoria, tributos e advisory services.

Fonte: RICARDO VIVEIROS - OFICINA DE COMUNICAÇÃO



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