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Perspectivas e problemas da indústria do plástico

*José Ricardo Roriz Coelho.

Indústria de transformação do plástico amplia mobilização para solucionar os problemas que atrapalham o setor.

A indústria brasileira de transformação do plástico, terceira geração da cadeia petroquímica, constituída por 11,4 mil empresas, distribuídas em todo o território nacional, empregadora de 330 mil trabalhadores e com faturamento de R$ 35,9 bilhões anuais, tem substantivo potencial de crescimento nos próximos anos. Tal perspectiva é enfática nas vertentes essenciais da matéria-prima - o petróleo, cada vez mais disponível no Brasil - e no amplo mercado, constituído por praticamente todos os segmentos industriais, construção civil e bens de consumo. Ademais, o aumento de renda dos brasileiros possibilita acesso crescente a produtos com embalagens plásticas, de maior valor agregado, como os do agronegócio.

Entretanto, para otimizar de modo pleno todo esse potencial do setor no País, alguns gargalos precisam ser solucionados, a começar pela questão dos preços das resinas termoplásticas. Afinal, um dos grandes fatores de competitividade da indústria de transformação do plástico, em todo o mundo, é o custo dessa matéria-prima. Este é um grande nó a ser desatado no Brasil. As referencias dos nossos preços de matéria-prima básica são os Estados Unidos e da Europa, que já há muito tempo vem perdendo competitividade nesta cadeia produtiva para a Ásia, Middle East Leste Europeu.

Por essa razão, as empresas do setor têm a expectativa de que toda a sua cadeia produtiva no Brasil ganhe vantagens comparativas com as concorrentes externas e maior musculatura para produzir, a partir da recente fusão da Braskem e a Quattor, processadoras daquele insumo basilar. A junção das duas companhias, como se sabe, resultou numa grande petroquímica de segunda geração (fornecedora das resinas termoplásticas), na qual a Petrobrás passou a ter significativa participação acionária.

O desdobramento desse processo preocupa muito todo o mercado - e com justificadas razões! -, considerando que a estatal, que já tem imensa influência, aumenta ainda mais seu poder de decisão no âmbito da cadeia produtiva. Resta saber como utilizará todo esse cacife. A expectativa é de que a fusão verticalize os ganhos, incluindo a indústria transformadora do plástico, cuja produção tem imensos reflexos na economia, à medida que está presente em praticamente todos os setores de atividade.

Automóveis, aviões, eletroeletrônicos, construção civil, brinquedos, linha branca, embalagens, sacos para numerosas finalidades, computadores, móveis, máquinas e equipamentos diversos, dentre outros produtos e bens de consumo, contêm componentes plásticos. Portanto, não é difícil imaginar o impacto do custo da matéria-prima no conjunto dos preços internos de nossa economia, no poder de compra da população e nas exportações, disputadas palmo a palmo com concorrentes poderosos, como a China. Desse modo, entendemos que a fusão das petroquímicas significa oportunidade histórica de se corrigirem distorções e de se estabelecer, com critérios absolutamente técnicos, uma política adequada de preços para as resinas termoplásticas. Isso seria muito benéfico, não apenas para o setor, como para o conjunto de toda a economia e a sociedade de nosso país.

O Brasil é autossuficiente em petróleo e será um grande exportador. Portanto, deveríamos ter as melhores condições para agregar valor ao longo da cadeia produtiva dos derivados. Os preços, com margens adequadas para todos os elos da cadeia, precisam situar-se num patamar que possibilite grande aumento do consumo no mercado interno e assegure competitividade para exportar produtos de maior valor agregado e que gerem mais empregos e riquezas aqui no Brasil.

Além desse tópico crucial das resinas, há outras questões a serem solucionadas. As principais são: a isonomia do IPI de resinas e produtos acabados com a de materiais sucedâneos; o aumento do prazo de recolhimento dos impostos; e o acesso mais amplo a financiamentos e com o mesmo nível dos juros dos nossos concorrentes internacionais, além de taxas de câmbio que não tirem a atratividade de exportarmos e que não induzam a uma maior importação de produtos acabados. Esses problemas, somados à antiga instabilidade dos preços dos insumos, incluem-se entre os fatores responsáveis pelo déficit da balança comercial da indústria de transformação do plástico, que foi de US$ 800 milhões em 2009 e já atinge US$ 200 milhões no acumulado do primeiro bimestre de 2010, e que se nada for feito, tende a ser crescente nos próximos anos.

O setor, constituído majoritariamente por firmas pequenas e médias, também precisa fazer algumas lições de casa, como investir em modernização de equipamentos, inovação, pesquisa e capacitação gerencial. Missão decisiva, já em curso avançado no País, é que nossos produtos estejam sempre adequados aos mais rigorosos padrões ambientais. Esta é resposta imprescindível à sociedade!

Com empresas mais estruturadas, preços das matérias-primas equacionados e entraves fiscais e financeiros mitigados - objetivos que defenderemos com ênfase, intensa mobilização e esforço multiplicado - a indústria do plástico não só consolidará sua posição como sétimo maior setor da economia brasileira, como dará paulatina contribuição para o crescimento sustentado e o desenvolvimento do País.

*José Ricardo Roriz Coelho, engenheiro, é presidente da Vitopel e do Conselho de Administração da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).

Fonte: RICARDO VIVEIROS



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