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Visibilidade e gestão de riscos frente às crises

*Alexandre Velilla Garcia.

A crise financeira despontada na Grécia já produziu seus efeitos no mundo corporativo e os sinais podem ser sentidos mundo afora, motivo pelo qual é de fundamental importância que as empresas se previnam do seu efeito cascata inesperado. Assim como ocorrido em 2008, novamente o cenário de instabilidade das bolsas, fragilidade dos bancos e das empresas voltam a desenhar a paisagem, registrando momento de alerta.

Novamente as bolsas ao redor do mundo fecharam suas cotações em baixa, temerosas que a crise de crédito originária da Grécia golpeasse o sistema financeiro. O Banco Central Europeu, em conjunto com o FMI e a União Europeia, já divulgaram pacotes bilionários de ajuda à Grécia. Certamente, esses foram os primeiros sinais de que a economia global pode estar ameaçada mais uma vez, podendo desencadear inúmeros problemas de ordem socioeconômica. Com efeito, neste cenário gerir riscos é uma atividade de fundamental importância e responsabilidade.

Stephen Massocca, da Wedbush Morgan, registrou sua declaração de alerta ressaltando que a crise da dívida europeia produzirá efeitos significativos e não cessará a qualquer momento. Atentas a esta afirmação, as empresas brasileiras devem acender suas lâmpadas vermelhas em sinal de alerta e avaliar com extrema cautela como administrar os negócios em tempos de crise. É salutar e imprescindível conhecer e aplicar rapidamente estratégias infalíveis de gestão de riscos para suportar o momento de incertezas.

Não obstante o ambiente atual e o cenário econômico global possam causar espanto em muitos meios corporativos, a questão fundamental é a forma de atuação dos entes econômicos e a sua visibilidade sobre a gestão de riscos. Sem dúvida, este é o pensamento primordial para manter os pés no chão e não deixar que a ignorância impossibilite a capacidade de diagnosticar a magnitude dos problemas, mitigando-os através de uma gestão responsável e firme dos processos, controles e negócios. Certo é que, para os líderes empresariais, o segredo pode estar no controle das decisões tomadas pelos seus executivos alinhadas aos interesses da organização. Este mecanismo é facilmente implementado por meio de práticas de governança corporativa, suportadas e geridas pelos Conselhos de Administração e Fiscal.

Antigamente, pensar em gestão de risco era fazer uma avaliação específica de uma determinada situação. Hoje isto mudou, justamente porque a cada minuto inúmeras transformações acontecem mundo afora, decorrentes de um ambiente competitivo e dinâmico. A gestão de riscos deve ser marcada pelo preceito de uma atividade continuada e preventiva, em que as diversas áreas corporativas estejam focadas no diagnóstico e não apenas na profilaxia. As ações e procedimentos de prevenção de ameaças devem ser tratados anteriormente às crises, e não apenas quando elas já se instalaram.

Assim sendo, é de fundamental importância a implantação, mapeamento e auditoria do ambiente de controles internos, objetivando a identificação e classificação das ameaças. Só assim é possível propor ações de melhoria que agreguem valor às organizações, especialmente na eficácia operacional no curto e médio prazo. As técnicas para identificação de ameaças geralmente circundam entre a probabilidade da ocorrência delas e do impacto econômico-financeiro que possam causar. Avaliar essas condições é fundamental para a gestão efetiva, onde são elaborados planos de contingência e de mitigação dos riscos existentes, por meio da adoção de metodologias específicas para tal. Dimensionar qual o tamanho e a proporção da crise gerada numa organização está refletido nos resultados dos trabalhos de uma análise séria e profissional do grau de exposição da organização.

Também faz parte destas ações de melhoria voltar as atenções também para uma avaliação minuciosa do quadro de pessoal da empresa, pois a perda da confiança nos profissionais que ali estão é uma das situações que precipitam o declínio de uma organização. É necessário que as pessoas estejam engajadas com a filosofia de trabalho da empresa e que tenham sensibilidade para identificar quais procedimentos precisam de mudanças para o melhor desempenho da organização. Quando se perde a confiança no capital intelectual e, da mesma maneira, as pessoas deixam de acreditar nas competências corporativas, automaticamente a gestão fica perdida e fatalmente a crise é instalada.

Em suma, o gerenciamento dos riscos, efetuado de forma monitorada e constante, por profissionais especializados, reduz as incertezas inerentes ao negócio e ao conjunto de possíveis consequências ligadas a perdas financeiras e operacionais, além do que torna a organização menos suscetível aos rápidos efeitos da crise, em meio ao mercado competitivo, dinâmico e global.

*Alexandre Velilla Garcia, economista, é diretor da Grant Thornton, onde atua na Divisão de Gestão de Riscos

Fonte: ESTRATÉGIA



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