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Terceirizar aumenta a eficiência



* Eduardo Pocetti

A palavra inglesa outsourcing está definitivamente incorporada ao vocabulário corporativo brasileiro. E isso não acontece porque falte um termo equivalente em português: outsourcing pode muito bem ser traduzido como ''terceirização''. Infelizmente, porém, essa palavra agora carrega o estigma de metáfora para o subemprego.

Isso acontece porque, em virtude dos pesados encargos acarretados pela legislação trabalhista brasileira, muitos empresários e gestores se veem na contingência de mascarar as relações de trabalho como se fossem contratações terceirizadas. Dessa forma, o profissional cumpre jornada de trabalho e se submete à hierarquia da empresa, mas fornece nota fiscal para o recebimento de sua remuneração.

O arranjo é bom para o empresário, que reduz custos e aumenta a viabilidade do seu negócio. Além disso, permite que o profissional consiga uma garantia de remuneração mensal, embora abra mão de férias, fundo de garantia e outros benefícios. Embora cada vez mais comuns, esses contratos esbarram na ilegalidade. A legislação é clara: é terminantemente proibido terceirizar as atividades-fim de uma empresa. Isso significa que, numa padaria, o proprietário pode terceirizar a realização da limpeza e da segurança, mas os padeiros, confeiteiros, balconistas e operadores de caixa têm, obrigatoriamente, de ser contratados pelo regime de CLT.

No mundo corporativo, o termo outsourcing tem sido usado para designar, principalmente, a terceirização das atividades secundárias que devem ser feitas, preferencialmente, por pessoas especializadas. Em organizações dos mais distintos tipos, tais como indústrias e hospitais, lojas e manufaturas, é possível (e desejável) terceirizar serviços fiscais, de contabilidade, controladoria, folha de pagamento e outros.

Praticado corretamente, o outsourcing possibilita que as empresas se concentrem no seu core, ou seja, nas atividades que constituem a ''alma do negócio''. A contratação de auditoria interna, por exemplo, é ideal para qualquer empresa que queira ter garantia de transparência em suas demonstrações financeiras e contábeis, e constitui etapa fundamental àquelas organizações que pretendem negociar papéis na Bolsa de Valores (IPO). A melhoria dos controles internos ajuda a evitar erros e fraudes, e há uma redução significativa dos custos com infraestrutura, treinamento de pessoas e aquisição de material. Graças à ação de prestadores de serviços mais preparados para lidar com assuntos pertinentes a questões tributárias e de controle, são evitados problemas com o Fisco e outros órgãos de fiscalização. De maneira geral, há um enorme ganho de agilidade e de produtividade - e, de quebra, as empresas têm a tranquilidade de saber que atividades fundamentais estão a cargo de especialistas.

Desse modo, os empreendedores podem deixar que seus melhores ''cérebros'' se concentrem naquilo que mais importa: o planejamento e o aprimoramento de suas atividades principais, que constitui etapa fundamental à conquista do sucesso.

* Eduardo Pocetti é CEO da BDO, quinta maior empresa do Brasil e do mundo nas áreas de auditoria, tax e advisory.


Fonte: RICARDO VIVEIROS


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