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Organizações brasileiras se preocupam com a formulação da estratégia, mas subestimam a importância da gestão



Esta é uma das principais conclusões da versão 2009 do estudo realizado anualmente pela
3 GEN- Gestão Estratégica, sobre evolução da gestão estratégica nas organizações brasileiras

Estudo on-line ''Evolução da gestão estratégica nas organizações brasileiras - 2009'', realizado pela 3GEN - Gestão Estratégica indica que as organizações, mesmo tendo seu mapa estratégico definido, apresentam dificuldades em realizar reuniões de gestão tendo a estratégia como principal pauta, o que é uma contradição em relação à formulação da estratégia ser apontada como a principal preocupação dos executivos. A pesquisa foi fundamentada a na observação detalhada dos dados coletados entre novembro de 2008 e outubro de 2009, compreendendo 343 (correspondente a aproximadamente 314 empresas) respostas válidas destacadas de uma amostra total de cerca de 750 acessos ao auto-diagnóstico online disponibilizado no website institucional da 3GEN Gestão Estratégica (www.3gen.com.br).

A grande questão deste estudo está relacionada à efetiva aplicação do BSC - Balanced Scorecard na gestão. Isto é crítico, pois o estudo indica que 32% daquelas organizações que têm mapa estratégico ainda não realizam reuniões de gestão estratégica e outros 35%, apesar de realizarem tais reuniões, não o fazem de forma sistemática. Ou seja, 2/3 das organizações que acreditam ter um modelo de gestão estratégica capaz de mantê-las em linha com a evolução da performance estratégica, na verdade subutilizam o modelo não avaliando continuamente o desempenho. Em grande medida, isto explica a frustração de algumas organizações com a utilização do BSC, pois foram corretamente construídos, mas não foram implementados em sua plenitude.

Uma das principais preocupações das organizações é fazer com que a estratégia se transforme em ação. Este é talvez um dos poucos consensos entre executivos, consultores e comunidade acadêmica. Embora seja inegável a importância do planejamento estratégico, o desafio está de fato na construção de um processo de gestão que viabilize a sua execução. Embora a preocupação esteja presente, o fato concreto é que a execução da estratégia ainda carece de maior foco dos gestores e da implementação de ferramentas adequadas à gestão. Neste sentido, o Balanced Scorecard (BSC) tem se apresentado como uma alternativa importante para o efetivo gerenciamento da execução da estratégia.

Aprofundando o estudo nos temas específicos, foi possível observar que, dentre as organizações que responderam ao auto-diagnóstico, e que, portanto, têm algum interesse no tema Gestão Estratégica, apenas 37% têm um modelo de gestão estratégica desenvolvido parcial ou totalmente. Ou seja, apesar de a execução da estratégia ser considerada um grande desafio, muitas organizações não estão preparadas do ponto de vista do processo de gestão:

Interessante também é observar os dados sobre a adoção do mapa estratégico como modelo para traduzir a estratégia. Do total de respostas, 62% já estão utilizando ou pretendem utilizar o mapa estratégico, sendo 26% estão desenvolvendo o mapa e 36% já tem o mapa desenvolvido de forma parcial ou total, ou seja, utilizando-se de perspectivas, objetivos, relações de causa-efeito, temas estratégicos e proposta de valor.

Numa comparação dos dados de 2009 com a base de 2008 pode-se observar que houve uma ligeira inversão de posição em relação às organizações que possuem diretrizes definidas, com 25% das organizações afirmando que não possuem mapa estratégico.

Em relação à comunicação, fator primordial para a execução da estratégia, o estudo mostra que das organizações que têm mapa estratégico, 26% comunicam a estratégia de forma sistemática e outros 44% comunicam a estratégia, porém sem regularidade. Por outro lado, 6% ainda não têm práticas que assegurem a comunicação da estratégia a todos os colaboradores. Existe, portanto uma correlação clara entre organizações que utilizam o BSC e a consciência acerca da necessidade de envolver todos os colaboradores na execução da estratégia.

Dentre as organizações que não possuem mapa, somente 4% comunicam sistematicamente a estratégia e outros 71% a comunicam parcialmente. Parte das organizações que não comunicam a estratégia está desenvolvendo um plano para tal, enquanto a outra parcela ainda não apresenta tal preocupação. Isto indica certa desconexão entre a importância dada à execução da estratégia e a prática adotada, pois sem conhecer a estratégia os colaboradores não serão capazes de implementá-la.

Merece destaque também o grau de desenvolvimento das organizações em relação aos seus processos, estrutura, tecnologia da informação e modelos de incentivo, em relação à estratégia. Se isolarmos o alinhamento de TI à estratégia, podemos observar que 44% das organizações estão completa ou parcialmente alinhadas, e outras 41% estão em processo de alinhamento. Se partirmos da premissa de que a estrutura deve seguir a estratégia, podemos afirmar que uma grande parcela nas organizações não está preparada para este desafio, pois somente 33% das organizações estão completa ou parcialmente alinhadas no que se refere aos processos e 40% alinharam completamente ou parcialmente a estrutura organizacional à estratégia.

Em relação à gestão do portfólio de projetos, o estudo traz um dado positivo, pois dentre as organizações que têm reuniões de gestão estratégica (41%), 32% afirmam fazer gestão de portfólio de projetos totalmente integrada à estratégia. Vale ressaltar também que a base de 2009 apresentou um número muito maior de organizações que têm a gestão de portfólio de projetos integrada à estratégia, em relação à base de 2008. Podemos, portanto, inferir que há, aparentemente, uma maior compreensão da necessidade desta prática para a execução da estratégia.

Analisando o conjunto dos dados, é possível afirmar que as organizações vivem um processo de maturação em relação à gestão estratégica. Temas críticos como a comunicação da estratégia e a gestão de portfólio estão na ordem do dia e em desenvolvimento. Por outro lado, embora os modelos de gestão estratégica já apresentem um importante grau de evolução, existem relevantes pontos de melhorias. O principal alvo de atenção está exatamente na correta aplicação das metodologias, pois a subutilização ou implementação incorreta gera frustração em organizações que investiram importantes recursos em modelos de eficácia comprovada, trazendo consequentemente descrédito e resistências à implementação.

O mais importante, no entanto, é que o estudo evidencia que a execução da estratégia se consolidou como uma questão altamente relevante para as organizações e segue merecendo a atenção de executivos e acionistas.


Fonte: LITERA - CONSTRUINDO DIÁLOGOS


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